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Homenagem à Shimon Peres, um dos pais do Estado de Israel

Homenagem à Shimon Peres, um dos pais do Estado de Israel

Loja Maçônica Zohar prestou homenagem especial

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Quando a primeira semana de outubro estava terminando, na próspera Ramat Gan, região oeste de Tel Aviv e parte destacada da Metrópole de Gush Dan, os médicos do Sheba Medical Center desligaram os aparelhos e constataram a morte de Shimon Peres que passou assim, para o Oriente Eterno.

O Irmão Paulo Roberto Machado apresentou na sessão de 05 de outubro, um trabalho especial em homenagem ao grande estadista Shimon Peres. A Loja secundou o trabalho fazendo um minuto de silêncio.

Shimon Peres foi Premio Nobel da Paz. No dia 4 de outubro, seus familiares foram chamados ao hospital e informados de que poderiam dar um último adeus ao estadista.

Seu sepultamento ocorreu na sexta feira e estadistas do mundo inteiro compareceram para homenagear a grande figura pública que tinha fama de sempre perder a eleição que disputava.

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Shimon Peres nasceu em 2 deagosto de 1923, em Visneva, na Bielorússia e foi um dos pais fundadores do Estado de Israel. Tinha 3 filhos e fora casado com Sonya Gelman de 1945 até 2011.

O médico que o atendeu, Rafi Walden, que era seu genro, comunicou o seu falecimento:

“Com uma profunda tristeza, hoje nos despedimos de nosso pai amado, o nono presidente de Israel, Shimon Peres”. Peres faleceu no hospital, quando dormia, em razão de um acidente vascular cerebral. Não sofreu. Estava sedado e cercado pela sua família.

O ex-presidente foi internado em 13 de setembro depois de sofrer um AVC. Com Shimon Peres desaparece o último dos pais fundadores do Estado de Israel. Ele foi um dos principais articuladores do Acordo de Oslo que estabeleceu as bases para a autonomia palestina nos anos 90. Esse trabalho lhe valeu o Nobel da Paz compartilhado com Yitzhak Rabin e Yasser Arafat.

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Peres acreditava que o caminho para acabar com a violência, o ódio e o terrorismo era os dois Estados coexistindo em paz.

Paulo Roberto Machado conta que ele usava uma frase que adotou para a sua vida: “Se um problema não tem solução, pode não ser um problema mas um fato – não para ser resolvido, mas para ser ultrapassado com o tempo”.

De falcão a homem da paz presente nas grandes batalhas da curta história do Estado hebreu e em suas agudas controvérsias políticas, Peres mudou sua imagem de guerreiro para a de um político de consenso, sendo considerado um “sábio” da nação. Era visto como um falcão trabalhista quando foi ministro da Defesa, nos anos 70, e apoiou a criação das primeiras colônias judaicas na Cisjordânia ocupada.

Dizia sempre que: “Os otimistas e os pessimistas morrem exatamente da mesma maneira, mas vivem vidas muito diferentes”.

Teve participação crucial no fomento da indústria bélica de Israel, e também era considerado o “pai” do programa nuclear hebreu. Peres também esteve envolvido no esforço de paz com Egito e Jordânia, os dois únicos países árabes que firmaram acordos de paz com Israel. Entrou na política aos 25 anos graças ao “velho leão”, David Ben Gurion, fundador de Israel, ocupando praticamente todos os cargos de alto nível no país, desde a Defesa, passando pelas Finanças e também Política Exterior. Foi ministro em inúmeros governos, assumiu em várias ocasiões o cargo de primeiro-ministro e, depois, de presidente do Estado de Israel de 2007 a 2014.

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Sobre o cérebro, dizia: “Olhem para o futuro. Não usem o cérebro para recordar. Usem o cérebro para imaginar”.

Aos 93 anos, continuou sendo uma figura muito ativa através de seu Centro Peres para a Paz, que promove a convivência entre judeus e árabes. Dormia pouco. Quatro ou cinco horas por noite. Em uma ocasião revelou que o segredo de sua longevidade consistia em fazer ginástica todos os dias, comer pouco e beber uma ou duas taças de um bom vinho.

Quero lembrar duas reflexões feitas por Shimon Peres:

“Todo mundo come três vezes por dia e se você come três vezes se enche de gordura, mas se você lê três vezes por dia se torna um sábio. É melhor ser sábio do que gordo”.

E sobre a vida, deixou este ensinamento:

“O mais importante na vida é arriscar. O mais complicado é ter medo. O mais inteligente do mundo é ser uma pessoa com moral”.

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Shimon Peres conversa animadamente com Ianiv e outras crianças no Kibutz Zikim, em 2014 Foto: Arquivo pessoal de Isaac Steinberg

Shimon Peres era uma pessoa simples. Os relatos sobre ele revelam uma personalidade iluminada, alto carisma e um grande amor pelas pessoas.

O Venerável Mestre da Loja Zohar, Irmão Isaac Steinberg apresenta o relato, abaixo, ilustrado por uma fotografia com o filho de sua prima, Yaniv que, com o microfone na mão, conversou com Peres:
“Esta foto foi feita no Kibutz Zikim que fica a uns 3 km da faixa de Gaza e, muito próximo do mar.
No conflito de 2014 vários foguetes foram lançados sobre aquela região, além de túneis que foram escavados pelos terroristas e, houve uma tentativa de ataque por mar, com mergulhadores.
Foram interceptados pela marinha Israeli.
Logicamente a segurança é muito grande nesta área além de existir ali, uma base militar.
Shimon Peres foi visitar a região para dar apoio aos moradores em 07 de julho de 2014.
Foi feita uma recepção para ele no Centro Comunitário com várias crianças.
O filho de minha prima, Yaniv é muito articulado e descontraído; nesta foto, ele tinha 10 ¹/² anos”.

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O presidente norte-americano Barack Obama, destacou que Peres foi um dos “gigantes do século XX”, junto com Nelson Mandela e a rainha Elizabeth II, do Reino Unido.
“Peres forjou a história de Israel e deu forma a seu país”, disse Obama, concluindo, em hebraico, “muito obrigado, querido amigo”.

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Obama e Shimon Peres – Foto de arquivo

Frases marcantes de Shimon Peres, o guerreiro da paz.

“Os otimistas e os pessimistas morrem exatamente da mesma maneira, mas vivem vidas muito diferentes”.

Lemas de vida

“Olhem para o futuro. Não usem o cérebro para recordar. Usem-no para imaginar”.

“O mais importante na vida é arriscar. O mais complicado é ter medo. E a coisa mais inteligente do mundo é tentar ser uma pessoa com moral”.

“É melhor ser controverso pelas razões certas do que popular pelas razões erradas”.

“Leio quando acordo de manhã, durante o dia e todas as noites. A maioria dos meus fins-de-semana são passados a ler grandes livros. Os livros são meus companheiros constantes. Se comeres três vezes ao dia, ficas alimentado. Se leres três vezes ao dia, serás sensato”.

“Se um problema não tem solução, pode não ser um problema, mas um fato – não para ser resolvido, mas para ser ultrapassado com o tempo”.

Na política

“Israel não pode chegar a um acordo de paz com os palestinos de modo isolado. O Estado precisa de paz com todo o mundo árabe.” (2002)

“Sou um perdedor. Perdi eleições. Mas sou também um vencedor, porque servi o meu povo.” (de um discurso durante a sua presidência, 2007-2014)

“Estou certo de que irei ver a paz durante a minha vida. Mesmo que tenha de a estender por um ano ou dois, não hesitarei” (2013, numa entrevista a propósito do seu 90º aniversário).

“Uma solução de dois Estados – um judaico, Israel, e outro árabe, a Palestina. Os palestianos são os nossos vizinhos mais próximos. Acredito que também poderão tornar-se os nossos melhores amigos”.

“Estamos a deixar a era da beligerância e caminhamos em conjunto para a paz. Tudo começou aqui em Oslo, sob os sensatos auspícios e boa vontade do povo norueguês. Desde a minha juventude, sempre que alguém se compromete a planejar com cuidado os vários passos de uma jornada, pode sonhar e continuar a sonhar com o seu destino.

Um homem sente-se tão velho quanto a sua idade e tão novo quanto os seus sonhos. As leis da biologia não se aplicam à aspiração sanguínea.

A espada, como nos ensina a Bíblia, consome carne, mas não providencia sustento. A conclusão a tirar de todas as guerras é que precisamos de pessoas melhores e não de armas melhores para ganhar, mas, sobretudo para as evitar”. (do discurso feito em 1994, quando da recepção do Prémio Nobel da Paz pela participação na elaboração dos acordos de Oslo para a paz no Médio Oriente).

Sobre Paulo Roberto Machado